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Linha do Tempo Completa do Carnaval de Curitiba

Wide angle view of a colorful carnival parade in Curitiba
Livro "Nem Que Me Mordas": A História do Carnaval de Curitiba (Foto: Isabela Borges)

1800 - 1899


1720


Entrudo - 1729


Entrudo é uma brincadeira de origem portuguesa que deu origem ao atual carnaval brasileiro. Praticado nos séculos XVII a XIX, consistia em uma guerra de rua onde as pessoas jogavam água, farinha e os tradicionais limões de cheiro (esferas feitas de cera, com o formato e tamanho de um limão recheadas de água perfumada).


Os bailes de fandango eram proibidos no Paraná, que ainda era província de São Paulo, especialmente aqueles com a participação dos escravizados. Já em 1807, um Edital determinou a pena de cinquenta açoites no Pelourinho e trinta dia de cadeia, além de multa de seis mil réis aos que cedessem espaços para bailes nos quais costumavam entrar escravos.


1850


Carnaval de 1853


Já em 1853, a prática de molhar quem passava pelas ruas (entrudo) havia se tornado uma tradição carnavalesca. Mesmo com as fortes chuvas que atingiram a cidade naquele ano, os foliões mantiveram o entusiasmo e incentivaram a participação popular. Além da água, era comum o uso de farinha, pó e talco durante as brincadeiras.


No entanto, nem todos utilizavam esses costumes de forma festiva. Alguns participantes passaram a atirar graxa, lama e outros materiais contra quem passasse pelas ruas, transformando a diversão em agressão. Como consequência, essas práticas começaram a ser contidas e acabaram proibidas durante os próximos carnavais, a multa era de 4 a 12 mil réis e até oito dias de prisão para quem fosse pego jogando a brincadeira.


Início do carnaval - 1854


Curitiba sempre teve algum movimento carnavalesco desde que ganhou importância como capital paranaense, diferente do feriado que temos hoje, antigamente se celebrava apenas três dias de Carnaval, domingo, segunda e terça-feira.


Em 1854, logo após a emancipação do estado do Paraná de São Paulo, datam o primeiro registro da formação do Clube Harmonia, que reunia a elite curitibana e que se tornou o primeiro grupo dançante da cidade.


Arquivos mostram que o Carnaval em Curitiba rapidamente conquistou os moradores da cidade. A primeira grande celebração de carnaval aconteceu no dia 27 de fevereiro de 1857, no Teatro de Curitiba, na rua dos Alemães, atual 13 de maio. O jornalista Zeca Corrêa Leite, do jornal Folha do Paraná, descreveu a celebração como uma verdadeira “explosão”.


A revista Panorama em uma matéria de 1959, afirma que "o curitibano é avesso às ruidosas manifestações momescas de rua", rebaixando o carnaval de rua em comparação com os bailes de salão. A matéria cita falas do prefeito da época (Iberê de Mattos) criticando o gasto de dinheiro público com a festa, argumentando que essa verba deveria ser redirecionada para necessidades básicas da população, como luz, telefone, revestimento de ruas, condução e gêneros alimentícios.


Recreio Familiar e Recreio da Juventude - 1857


Em 1857 já haviam mais duas sociedades carnavalescas, a “Recreio Familiar" e a "Recreio da Juventude", ambas elitistas como a Clube Harmonia. No mesmo ano, o Teatro de Curitiba sediou um baile de máscaras realizado em um Sábado de Aleluia. O espaço foi cedido para a festa, que contou com uma animada orquestra e atraiu um grande público, sem sequer haver cadeiras suficientes para acomodar todos os participantes.


A posição da igreja perante o carnaval - 1857


Apesar de estar relacionado com o calendário cristão, o carnaval nunca foi adotado pela igreja católica. Dom Pedro Fedalto, arcebispo de Curitiba diz que o carnaval em si não é um problema mas a igreja e fiés o condenam por quatro motivo, sendo eles: atentado a moral cristã; pelo desperdício de dinheiro; pessoas adoecem; e por último, é um evento que reúne muitas pessoas indisciplinadas.


1860


Os primeiros carnavais de Curitiba - 1863


As festividades de 1863 são consideradas uma das maiores já realizadas na cidade durante o século XIX, até então, e se tornaram um ponto de diferenciação na história do carnaval curitibano. Foliões mascarados, a pé ou a cavalo, tomaram as ruas da cidade, enquanto o Theatro Sete de Setembro promovia três grandes bailes carnavalescos na mesma noite.


No ano seguinte surgiram os blocos Beduínos e Zuaces, que percorriam as ruas distribuindo ao público panfletos com pensamentos e mensagens bem-humoradas. Os bailes de máscaras também se consolidaram como uma importante atração da festa, especialmente os promovidos pela Sociedade Sete de Setembro, frequentada pela elite da cidade.


Embora fosse popular, a festa ainda seguia as rígidas divisões de classe da época, nas quais diferentes grupos sociais não interagiam. A população negra, especificamente, era totalmente excluída dessas celebrações devido ao sistema escravista do Brasil Imperial.


Guerra do Paraguai - 1865


Em 1865, o início da Guerra do Paraguai impactou diretamente o clima festivo da cidade. Com a mobilização de voluntários para o conflito e a preocupação causada pela guerra, não há registros nos jornais da época sobre bailes ou grandes manifestações carnavalescas. O desânimo persistiu em 1866, embora grupos mascarados ainda tenham saído às ruas na terça-feira de Carnaval, mantendo viva uma tradição que já fazia parte do cotidiano curitibano.


Em 1867, os festejos começaram a recuperar o fôlego. O chamado Bando Carnavalesco utilizou as páginas do jornal Dezenove de Dezembro para convocar a população para a folia e divulgar os bailes masqués (bailes de máscaras) realizados no Teatro da Sociedade Dramática Particular Phenix, localizado na atual Rua Riachuelo.


1870


Samba


Não se pode falar de Carnaval brasileiro sem falar de samba. Mais do que um gênero musical ou um estilo de dança, o samba é o fio condutor que une a identidade cultural do país, transformando a festa momesca em um espetáculo de ritmo, resistência e criatividade. Embora sua popularidade tenha se consolidado ao longo do século XX, as origens do samba são anteriores à década de 70. O gênero é fruto de um complexo processo de miscigenação cultural ocorrido no Brasil. Suas raízes remontam ao Recôncavo Baiano do século XIX, onde populações negras escravizadas, em um ato de resiliência e preservação de suas identidades, fundiam ritmos herdados de seus ancestrais africanos com influências locais, como o lundu e o maxixe, durante as tradicionais rodas de samba.


1880


No final do século XIX, após a abolição da escravatura em 1888, muitos ex-escravos migraram da Bahia para o Rio de Janeiro. O samba encontrou nos morros e subúrbios cariocas o cenário ideal para se transformar e construir o samba que conhecemos. Mais tarde, com a criação da primeira escola de samba carioca, a Deixa Falar, em 1928, foi o passo decisivo para que o ritmo se tornasse o protagonista absoluto dos desfiles.


1890


Registros da Casa da Memória de Curitiba datam do início do século XX com a transição do carnaval de clube para as ruas da cidade, os corsos, que eram desfiles carnavalescos utilizando carros decorados pelas ruas, com foliões fantasiados que jogavam confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume. Vindos de Paris, esses perfumes se popularizaram e ficaram conhecidos como “bisnagas de vidro” O ar durante os desfiles ficava com uma fragrância de acácia, heliotrópio, violeta e cravo.

1900 - 1999

1900

Uma nova fase: os corsos - 1900

Em 1900 com os corsos já registrados como uma nova fase do carnaval de Curitiba, a Rua Quinze de Novembro se transformava para a passagem dos carros decorados, onde faziam uma rota entre a Praça Osório e a Praça Santos Andrade. Organizada pelos clubes, os corsos eram festas da elite alimentadas pelos desejos do povo nas calçadas. Quem era rápido conseguia alugar sacadas internas para acomodar familiares e amigos e assistir aos desfiles de um ponto privilegiado.

Na revista satírica "Olho da Rua"', edição de 19 de fevereiro de 1908, o soneto publicado como anônimo demonstra a completude do nosso Carnaval antigo:

"Depressa veste teu dominó pretoE vamos à Rua XV alegrementeO teu braço no meu por entre a genteNas ondas deste povaréu inquietoHão de aplaudir o teu perfilDe polaca lindíssima e decenteE aí, diante de qualquer coretoHavemos de dançar como um dementeA valsa e o carque-warque requebradoNo fim hei de ficar bem porreadoBeberei a valer nem que me mordasA todos mostrarei meu grande raboE tu, de braços dados com este diaboOstentarás tuas gambias gordas”

Carnavais que Viraram Postais

Já na primeira década deste século os curitibanos ganhavam as ruas para comemorar o carnaval. Algumas cenas da folia momesca foram eternizadas em cartões postais. São imagens do carnaval curitibano entre 1905 e 1920, do acervo de Júlia Wanderley, pertencente ao Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Paraná.

Retratos, em branco e preto, os postais mostram fantasias de um tempo mais discreto, os corsos que fizeram o sucesso de velhos carnavais - alguns até com carros alegóricos puxados a cavalo, as danças e a assistência nas ruas do centro de uma Curitiba bem menos povoada.

São provas de que o curitibano sempre festejou o carnaval, de um modo todo próprio. Afinal, a cidade não tem mar. Este simples fato já determina um comportamento mais contido.

Fato incontestável é que Curitiba é a cidade sorriso. Tal qual seu título, os cidadãos estão mais para o sorriso do que para as gargalhadas, a cada carnaval. O que não significa, de modo algum, que a alegria seja menor. É apenas uma forma específica de se divertir. Isto, dentro do processo cultural, se chama identidade.

1910

Carnaval em tempo de crise e o “Corso Maldito”

Em 1915 mesmo em um período de dificuldades, influenciado pela Primeira Guerra Mundial e pelos reflexos da Guerra do Contestado no Paraná, os corsos realizados na Rua XV de Novembro eram os mais aguardados pela população. As ruas ficaram tomadas por serpentinas, confetes e carros enfeitados. Naquela época, o centro de Curitiba era um dos principais palcos da celebração carnavalesca.

Nesse mesmo ano, data uma foto do “Corso Maldito” na Praça Osório. Com base no texto da "Nostalgia" da Gazeta do Povo, esses corsos eram marcados pela presença de carros alegóricos primorosamente enfeitados, que traziam charges críticas aos governantes e faziam sátiras de acontecimentos ridículos da política e da sociedade local e nacional da época. A fotografia da página, por exemplo, destaca um carro que levava uma grande cabeça caricaturada do então prefeito Cândido de Abreu.

1920

Declarações engarrafadas - 1920

O corso de 1929 reuniu cerca de 623 veículos. Mas em anos anteriores era usado carroças decoradas com flores e papel crepom, puxadas a cavalo. Todos que participaram usavam suas melhores roupas, os rapazes elegantes usavam bengalas, as moças carregavam sombrinhas e leques. Todos de famílias abastadas, se organizavam para que cada carro tivesse um saco de confete, 50 serpentinas e duas dúzias de lança-perfume, que na época as propagandas apresentavam o perfume Pierrot como sendo “uma declaração de amor engarrafada”.

1930

Clube Curitibano e Sociedade Treze de Maio - 1930

No início dos anos 30 surgem mudanças nos costumes do carnaval da cidade, oriundas do Rio de Janeiro. O carnaval nos clubes começa a eleger títulos de Rainha do Carnaval Curitibano e de Rei Momo, o querido personagem rechonchudo e irreverente que é historicamente considerado o rei do Carnaval. Neste tempo também aconteceram os primeiros concursos de fantasia que se popularizaram rapidamente na cidade.

Licença para participar do carnaval de rua

No ano de 1932 só podia sair de casa fantasiado ou mascarados se estivesse com uma licença da polícia. O delegado de Costumes, Augusto Guimarães Cortes anunciou que pessoas acima de 16 anos precisavam obter uma licença emitida pela Delegacia de Costumes, mediante uma taxa. Já os mais novos, menores de 16 anos podiam participar das festividades sem licença, desde que estivessem acompanhados por um adulto ou responsável legal.

Integração do Samba ao Carnaval brasileiro

No início do século XX, o samba era uma manifestação cultural popular reprimida pela polícia e pelas elites. A mudança de status ocorreu nos anos 1920, quando compositores do bairro do Estácio criaram o "samba moderno", integrando percussão e ritmos ideais para desfiles. Em 1932, a organização do primeiro concurso oficial de escolas de samba no Rio de Janeiro, patrocinado pela imprensa, consolidou a relação entre o gênero e o carnaval. Esse processo transformou o samba de um alvo de perseguição em um dos principais símbolos da identidade nacional brasileira.

Falta de auxílio no carnaval da cidade

Em 1938 foi publicado, pelo Correio do Paraná, um comentário sobre a falta de auxílio para os corsos, “Há uma falta de auxílio para os blocos que participam do corso. Até quando será isso? O carnaval era feito de 400 a 500 carros, neste ano só contou com 50”.

1940

O surgimento das escolas de samba - 1946

Nessa década, o samba chega no Carnaval de Curitiba apesar de estar bastante difundido em outras regiões do país, como o Rio de Janeiro. Até então o ritmo curitibano estava centrado na marcha como música de animação. Essa evolução leva ao surgimento das escolas de samba que só irão desfilar para competir em 1957, no qual a campeã foi a “Não Agite”.

Com os concursos acontecendo, inicialmente os vencedores eram escolhidos pelo próprio público. Com o passar do tempo, a prefeitura passou a organizar a premiação e a destinar recursos para os desfiles. Essa mudança alterou algumas características, as escolas deixaram de lado parte das sátiras e críticas, que antes eram representadas nas letras, carros alegóricos e figurinos.

Apesar da relevância de outros grupos, a Escola de Samba Colorado, fundada em 1946 na Vila Tassi (atual Vila Capanema), é reconhecida como a pioneira de Curitiba. Nascida de uma comunidade ferroviária, negra e periférica, a escola desafiou a elite, formou sambistas e projetou a batucada curitibana nacionalmente.

A escola contribuiu levando a cultura negra para as ruas de Curitiba e participando de movimentos de resistência, como a Diretas Já. Nos desfiles, se destacavam com a renomada "bateria nota 10". Conhecida como a primeira escola de samba de Curitiba, fundada por Ismael Cordeiro, o “Maé da Cuíca", a escola apresentou à população uma série de sambas-enredo.

A Embaixadores da Alegria nasceu em 1948 com o folião de marca maior, José Cadilhe de Oliveira. Tudo teve início no Bar e Confeitaria Stuart, improvisando um batuque ao som de caixas de cerveja e caixas de fósforo. O bloco ganhou o nome de Cevadinhos do Amor e, no carnaval do mesmo ano, seus 38 figurantes saíram fantasiados de garrafas de cerveja Brahma, patrocinados pela própria marca, doando cerca de dez mil cruzeiros. Em 1950, já como escola de samba, o nome foi confirmado com Os Embaixadores do Amor.

1950

Ascensão do carnaval de rua e o fim do lança perfume

As escolas de samba e o desfile nas ruas estavam ganhando cada vez mais força. Com o início da proibição do uso do lança perfume, que na época era sinônimo de Carnaval, os bailes foram perdendo o brilho. Com isso, parte de seu público migrou para as ruas, onde ainda podiam usufruir da “declaração de amor engarrafada”. A fabricação, o comércio e o uso da substância foram vetados em todo o território nacional pelo Decreto nº 51.211, de 18 de agosto de 1961, assinado pelo então presidente Jânio Quadros.

1960

Baile dos Enxutos - 1960

Em meados de 1960, o Clube Operário deu início à realização do Baile do Enxutos, popularmente conhecido como “Gala Gay”, que acontecia geralmente no domingo de Carnaval. O evento era repleto de desfiles de fantasias, além de performances de travestis e drag queens. Marcado pelos famosos concursos, como o de “Garota Sensação”, o clube era notícia em todos os portais da época, sem poupar fotos explícitas, mesmo em um país repressor marcado pelo conservadorismo durante a ditadura militar.

O evento seguiu atraindo popularidade entre as festas e jornais da época, tendo como seu auge as décadas de 1970 e 1980. Mais que um evento carnavalesco, o Baile dos Enxutos foi um ponto de união e apoio. Ocupar aquele espaço em tempos de intenso preconceito configurava-se também um ato político, expressado através da celebração.

As Bem Boladas - 1966

Em 1966, o fotógrafo Mário Nery criou o desfile de “As Bem Boladas”, onde as mulheres competiam pelo título entre si, de acordo com a apresentação na passarela. Mas a premiação não levava só isso em consideração, a disputa começava desde o ato de inscrição no desfile, onde as candidatas faziam uma série de desafios que culminaram na noite do concurso. Nas décadas de 80, 90 e 2000, o tradicional baile costumava ocorrer nas noites de segunda-feira de carnaval e foi muito popular principalmente na Sociedade Operário e na Sociedade Batel.

1970

Mocidade Azul - 1972

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Azul começou sua história em 1959 com a desistência do bloco “Asas da Alegria”, formado por soldados e oficiais da Base Aérea do Bacacheri, que resolveu criar um grupo. Deixou a Sociedade D. Pedro II, se transferiu para o Esporte Clube Belmonte, depois para a Sociedade Universal e por fim se instalou no Esporte Clube Pinheiros.

Em 1972 passa a se chamar Grêmio Recreativo Escolas de Samba Mocidade Azul. Desde então, a agremiação destaca-se pelo trabalho realizado em sua comunidade com a oferta de entretenimento cultural, ações sociais, promoção da cultura carnavalesca e fomento da cultura afro.


1980

Bloco do Cadáver - 1981

Quando a Banda Polaca surgiu, em 1976, por iniciativa do jornalista e escritor Dante Mendonça, o sucesso foi tão grande que rapidamente ultrapassou as expectativas de seus idealizadores. Inspirada nos tradicionais blocos do carnaval carioca, a banda mobilizou centenas de curitibanos para celebrar o carnaval nas ruas do centro da cidade, especialmente no Largo da Ordem e em regiões próximas.

O trajeto do bloco passava pela Boca Maldita, ponto de encontro tradicional da capital paranaense. Era também nesse local que circulava Gilda de Abreu, conhecida como “a primeira gay curitibana”, famosa por abordar os pedestres com a frase: “Uma moeda ou um beijinho?”. Figura irreverente e marcante da cidade, Gilda frequentemente enfrentava preconceitos por não se encaixar no ideal conservador que Curitiba buscava projetar.

Um dos episódios mais violentos contra ela ocorreu em 1981. Durante uma apresentação da Banda Polaca na Boca Maldita, Gilda tenta subir em um dos carros alegóricos, afirmando que seria a rainha da banda. Ao presenciar a cena, o então presidente da Boca Maldita, Anfrísio Siqueira, a agrediu com um chute para impedir sua participação. Em seguida, Gilda foi presa.

A notícia se espalhou rapidamente e gerou indignação entre jornalistas, frequentadores da Boca Maldita e apoiadores da causa. Como forma de protesto, surgiu o Bloco do Cadáver. Vestidos com sacos de lixo, adornados com peças de isopor e embalados pelo espírito de contestação, os participantes satirizavam Anfrísio em uma marchinha que dizia:

“O Anfrísio estrebuchou, foi enterrado pelo Bloco do Cadáver”

Para completar o ato simbólico de resistência, Gilda apareceu ao final do desfile, logo após ser libertada da prisão, tornando-se um dos grandes símbolos da história do carnaval curitibano e da luta contra a discriminação.

1990

A Avenida Marechal Deodoro nos anos de 1990 era palco da folia, blocos religiosos e da terceira idade. A Fundação Cultural de Curitiba organizava os eventos, que contavam com forte participação das agremiações da cidade, como a Mocidade Azul, a Embaixadores da Alegria, a Acadêmicos da Realeza, entre outras.

A década de 90 foi dominada por uma rivalidade histórica entre as principais escolas de samba da capital. O histórico de campeãs nos primeiros anos daquela década destaca:

  • 1990: Mocidade azul e Embaixadores da Alegria

  • 1991: Embaixadores da Alegria e Mocidade Azul

  • 1992: Embaixadores da Alegria e Mocidade Azul

  • 1993: Mocidade Azul e Embaixadores da Alegria

Anos 2000

2000

“…as pessoas se divertiam mais” - Gazeta Mercantil

Em fevereiro dos anos 2000, em São Paulo, foi publicada uma matéria com reflexões sobre as mudanças do carnaval Curitibano. Essas perspectivas são baseadas a partir do relato de um folião que viveu o carnaval curitibano quando criança. Em Curitiba, as paradas carnavalescas aconteciam na rua XV.

“O Brasil era muito pobre. O carro era coberto com papel celofane e nada mais. Mas as pessoas se divertiam muito mais”.

Carlos Mattar dedicou décadas de sua vida ao carnaval de rua curitibano, compondo sambas-enredo para escolas de samba da cidade (Embaixadores da Alegria e D. Pedro, atual Mocidade Azul).

“Estou triste com o que tenho visto. Os governantes não dão mais atenção para a festa, o público dá mais atenção ao Halloween americano que ao Carnaval (...)”.

Zombie Walk

Original de Toronto no Canadá, as Zombie Walks são caminhadas coletivas em que os participantes, transformados por maquiagens elaboradas em mortos vivos e outros seres fantásticos, tomam as ruas no Dia de Finados (2 de novembro). Em Curitiba suas primeiras edições foram em 2007 e 2008 mas por conta da pouca adesão do público, em 2009, os organizadores decidiram mudar a data para o feriado de Carnaval.

O evento se agarrou na ideia de “PORQUE EM CURITIBA O CARNAVAL É UM HORROR” para fazer seu slogan. Trazendo, consequentemente, até o público que até então não gostava do carnaval, sair de casa no feriado para festejar e somar na pluralidade que o Carnaval se tornou em Curitiba. O evento acontece até os dias de hoje, geralmente nos domingos de carnaval, e já bateu o número de 25 mil pessoas presente na passeata.

2010

A resistência ao Carnaval em Curitiba não é um fenômeno isolado, mas uma constante que se manifesta de diferentes formas ao longo do último século. Conforme registrado em publicação oficial da Prefeitura de Curitiba, o governador Carlos Massa Ratinho Jr. sugeriu, durante a 25ª Marcha para Jesus em 18 de maio de 2019, que os organizadores promovessem um evento de fé na capital paranaense durante o feriado de Carnaval. O objetivo da proposta era criar uma alternativa turística capaz de atrair visitantes de todo o país.

2020

Fundada em 2020, a escola de samba Deixa Falar nasceu de um projeto que vinha sendo desenvolvido desde 2015. A agremiação reuniu integrantes experientes, vindos de outras escolas de samba, além de novos participantes que passaram a fazer parte do carnaval curitibano.

Devido à pandemia de COVID-19, sua estreia na avenida aconteceu apenas em 2023, quando conquistou o título do Grupo de Acesso. Nos anos seguintes, a escola manteve uma trajetória de destaque: ficou em terceiro lugar no Grupo Especial em 2024, foi vice-campeã em 2025 e alcançou o título de campeã do carnaval de Curitiba em 2026.

2021

Pela primeira vez em décadas, o carnaval curitibano teve suas atividades suspensas devido às restrições sanitárias impostas pela Covid-19. Sem desfiles e eventos presenciais, as escolas de samba enfrentaram um período de incertezas e adaptação. Todo o setor foi afetado, trazendo incertezas sobre o futuro, não só do carnaval, bem como outros aspectos de lazer e convivência.

Somente em 2022, com o avanço da vacinação, as escolas de samba começaram a retomar ensaios e atividades. Embora ainda sem a força dos anos anteriores, o período representou a reorganização do carnaval e a preparação para a volta dos desfiles.

2023

Com a volta do carnaval na capital paranaense, blocos e eventos foram organizados e contaram com a presença, tanto de moradores locais, quanto de turistas interessados em apreciar a cultura curitibana. As principais concentrações acontecem no centro da cidade e regiões próximas, como o Carnaval Nerd, na Praça Zacarias, o Baile Infantil e o Sopro do Polakinho na Marechal Deodoro e o Zombie Walk na Rua XV de Novembro.

Além de blocos carnavalescos, os tradicionais desfiles não ficaram de fora. O desfile dos Grupos Especiais começou com uma “purificação” feita pelo bloco Afoxé, depois desfilaram os blocos Púrpura, Boêmios e Madames e o Rancho das Flores. A noite foi destaque para as escolas: Os Internautas, Imperatriz da Liberdade, Acadêmicos da Realeza, Mocidade Azul e Enamorados do Samba. Já o Grupo de Acesso começou com um desfile de corsos de carros antigos e enfeitados do Elas Clube e logo em seguida desfilaram os blocos Unidos de Judá, EcoOrquestra, Pretinhosidade e Fogosa. As escolas que desfilaram foram: Deixa Falar, Unidos de Pinhais, Leões da Mocidade e Embaixadores da Alegria.

2024

A 23º edição do Festival Psycho Carnival, um dos símbolos do carnaval alternativo da capital, marcou presença entre os dias 8 a 13 de fevereiro no Jokers Pub. Localizado na rua São Francisco, a line-up do evento traz 42 bandas de cinco países diferentes: Brasil, Argentina, Chile, Dinamarca e Portugal. Umas das atrações mais aguardadas foi o trio dinamarquês Nekromantix, um dos maiores nomes do Power Psychobilly.

Neste ano o carnaval de Curitiba contou com o retorno do Carnaval de Tibagi. após três anos sem festa, a comemoração atraiu foliões e chamou a atenção de turistas.

Além disso, com o tema “O Cadete não Imaginava” o Desfile do Corso, tradicional pela passeata de carros decorados, aconteceu no dia 11 de fevereiro, em pleno domingo de carnaval.

2025

Os desfiles oficiais do Carnaval de Curitiba aconteceram na Rua Marechal Deodoro, como acontece tradicionalmente todos os anos. O evento é gratuíto e foi organizada uma estrutura da Prefeitura para o público se manter animado do início ao fim. Foram dez escolas, cinco em cada dia, 01 e 02 de março, trazendo sambas-enredos que homenageiam a capital paranaense e até presenças das cultura egípcia no país.

Para além das comemorações carnavalescas, o ano de 2025 foi marcado pelo Oscar mais aguardado de todos os tempos. Com a indicações de “Ainda Estou Aqui” na premiação, milhares de bares, restaurantes e pontos de encontro foram o destino final naquela noite. O Cine Passeio, além de transmitir o evento ao vivo, promoveu uma competição de sósias de Fernanda Torres e Selton Mello.

 
 
 

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