“Meu espírito de sambista está no sangue”, Leo da Cuicá e sua paixão pelo samba
- Beatriz Stempinhaki

- há 7 horas
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Aos 78 anos, Léo da Cuíca carrega uma história que se confunde com a própria trajetória do carnaval curitibano. Sambista desde os 11 anos de idade, ele mantém viva uma paixão que atravessa gerações. Atualmente integrante da escola de samba Deixa Falar, da qual participa desde sua fundação em 2020, Leo continua frequentando ensaios, desfiles e atividades da agremiação com a mesma dedicação de quando começou sua caminhada no mundo do samba.
Especialista na cuíca, instrumento que se tornou sua marca registrada, Leo também fez parte da tradicional Enamorados do Samba, onde construiu grande parte de sua trajetória carnavalesca. O amor pelo carnaval acabou sendo transmitido para a família: dos três filhos, dois também seguem envolvidos no meio carnavalesco, mantendo viva a tradição que acompanha a família há décadas.
Ao recordar os antigos carnavais, Leo fala com entusiasmo sobre uma época em que os desfiles ocupavam quatro noites consecutivas. “Naquela época era gostoso, você desfilava sábado, domingo, segunda e na terça”, relembra. Segundo ele, a terça-feira era especialmente aguardada pela comunidade do samba. A apuração acontecia no Instituto de Educação e atraía uma multidão. “Fervia de gente”, conta. Além dos desfiles em Curitiba, as escolas também viajavam para cidades do litoral paranaense, como Paranaguá, Antonina e Matinhos. Nessas ocasiões, praticamente toda a escola participava da viagem, com exceção dos carros alegóricos, que permaneciam na capital devido à dificuldade de transporte.
Apesar das mudanças ao longo dos anos, Leo defende que o carnaval curitibano continua forte. Para ele, as comparações com grandes centros carnavalescos não diminuem a importância da festa na cidade. “Curitiba ainda tem carnaval sim. Eu comecei a sair com 11 anos de idade e saio até hoje”, afirma. Embora reconheça o destaque de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, ele acredita que o carnaval local oferece diversão e mantém viva a cultura do samba. “O nosso não é pobre, mas dá para se divertir”, destaca.
Fora da avenida, Leo leva uma vida tranquila. Ele conta que nunca foi muito de sair ou beber, preferindo passar o tempo em casa. No entanto, quando o assunto é carnaval, a disposição aparece imediatamente. “Meu espírito de sambista está no meu sangue. O único divertimento que eu tenho é esse”, diz. Sempre presente nos ensaios, ele não mede esforços para colaborar com a escola. Além de integrar a bateria, compartilha sua experiência com os integrantes mais novos, transmitindo conhecimentos acumulados ao longo de quase sete décadas de samba.
Atualmente, Leo continua desfilando em duas escolas. Aos sábados, veste as cores da Deixa Falar, e aos domingos participa dos desfiles da Embaixadores da Alegria. Mesmo depois de tantos anos na avenida, a emoção permanece a mesma. “Quando você pisa na avenida, você se arrepia, até hoje. Só de falar me arrepio”, revela. A declaração resume o sentimento de quem fez do carnaval não apenas uma tradição, mas uma verdadeira razão de viver.



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