O batuque também é uma ferramenta de luta política!
- Ana Maria Marques

- 15 de mai.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 16 horas

Existe um objetivo em comum entre os carnavais, independente da temporalidade. Tanto no passado, como no presente e, espera-se também, no futuro, o carnaval é um espaço de peso para o debate político. É nos desfiles e nas ruas onde as pessoas podem libertar suas diferentes formas de expressão.
É a partir deste conceito de carnaval como espaço de debate político que a “Ela Pode, Ela Vai” se consolidou no carnaval de rua de Curitiba. A “bloca” não é necessariamente um bloco de carnaval, mas sim um coletivo feminista da cidade com a proposta de visibilizar a luta pelo debate de gênero e defesa dos corpos femininos.
Dentro deste contexto, um dos recursos que rege a presença do debate político é o Carnaval de rua. Participante do coletivo desde 2020, Sara Valente compreende o batuque como ferramenta de luta política. “Quando a gente tá na rua, a gente entende que estamos disputando o espaço central da cidade, o espaço de espetáculo, vamos dizer assim (...) E esta tomada de espaço é pra tensionar mesmo pautas que são sensíveis à nossa sociedade ", diz.
A bloca “Ela Pode, Ela Vai” teve a sua primeira saída pública em 2018, em uma manifestação contra o fascismo no Brasil. Na época, o coletivo era composto por aproximadamente 30 mulheres. Hoje, em 2026, a bloca conta com mais de 100 participantes. “A gente continua brigando para que esses espaços sejam maiores e sejam mais presentes na nossa vida. A gente sabe que vai pra rua que a gente vai ser assediada, mas não vamos parar de ir, porque estamos juntas.”, relata Sara.
Victoria Vidal é participante da bloca há 5 anos. Influenciada a começar no coletivo pelas amigas, hoje, ela enxerga no coletivo a necessidade de ter cada vez mais mulheres engajadas na pauta, para que a “Ela Pode, Ela Vai” tenha um vislumbre do futuro nos carnavais de rua de Curitiba. “Eu espero que a gente consiga crescer e continuar como bloca sempre tendo pessoas, mesmo que não sejam as mesmas, mas que estejam engajadas em fazer a bloca continuar viva, porque ela é um organismo vivo muito potente.”
O Carnaval de Curitiba assume um caráter multifacetado, que preenche as ruas da cidade com diferentes coletivos, cores e sambas-enredo. Mas, nessa mesma dimensão, são os ritmos de um carnaval diverso que sensibilizam os ouvidos para o debate e a resistência de quem, no passado, também carregava a luta política e social nos mesmos batuques, desde quando o Brasil é Brasil, e desde quando Carnaval é Carnaval.



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